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Cientistas criam exame capaz de analisar a parte mais funda do olho

Cientistas criam exame capaz de analisar a parte mais funda do olho 1
Técnica combina uso de tecnologia de imagem e de colírio fluorescente para analisar o epitélio pigmentar da retina, camada de difícil observação clínica. A abordagem criada por cientistas americanos poderá ajudar na prevenção de doenças oculares

Doenças oftalmológicas, como boa parte das enfermidades, têm mais chances de cura quando são diagnosticadas mais cedo. Para ajudar nesse processo, pesquisadores americanos desenvolveram um método apurado, capaz de analisar o epitélio pigmentar da retina (EPR) — camada celular localizada no “fundo” do olho e, por isso, difícil de ser avaliada por médicos. Por meio do uso combinado de imagens ópticas adaptativas e de um colírio fluorescente, os investigadores conseguiram analisar, de forma mais clara, essa estrutura. Com a tecnologia, acreditam, será possível identificar alterações na retina com maior exatidão, o que também poderá contribuir para melhores tratamentos. As descobertas foram publicadas na última edição da revista especializada JCI Insight.

O EPR mantém a saúde dos fotorreceptores sensíveis à luz da retina. Como as células contêm pigmento e, assim, absorvem a luz, a fina camada de tecido do EPR é difícil de ser visualizada. O corante escolhido pelos pesquisadores, chamado indocianina, ajuda na observação dos vasos sanguíneos. “A angiografia com indocianina verde é rotineiramente realizada em clínicas oftalmológicas. Usando a tecnologia chamada adaptativa óptica, vimos, em 2016, que a indocianina verde também pode ser usada para observar as células epiteliais de pigmento localizadas na retina. No trabalho de agora, nos baseamos nessa técnica e exploramos a estabilidade dela a longo prazo”, conta ao Correio Johnny Tam, pesquisador do National Eye Institute, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo.

Tam explica que o corante desaparece rapidamente dos vasos sanguíneos, em cerca de 30 minutos, mas persiste no EPR por várias horas, revelando um padrão de mosaico fluorescente, com algumas células aparecendo mais intensamente do que outras. Em testes, os pesquisadores usaram os padrões de EPR para rastrear células individuais em voluntários saudáveis e pessoas com doença retiniana. Também projetaram um software que reconhece os padrões de EPR e calcula as alterações que ocorrem de uma sessão de imagens para a próxima.

Como resultado, observou-se que, em voluntários saudáveis, houve pouca alteração no EPR ao longo de vários meses, com a grande maioria das células mantendo uma quantidade estável de coloração por ICG. No caso dos participantes com enfermidades retinianas, porém, as mudanças foram maiores. Os resultados animaram a equipe. “Estudar células do epitélio pigmentar da retina na clínica é como olhar para uma caixa-preta. Hoje, quando os sinais de doença são detectáveis com técnicas convencionais, muitos danos já ocorreram”, justifica Johnny Tam. “Esse estudo é uma prova de conceito de que podemos usar um corante fluorescente para revelar essa impressão digital única do EPR e monitorar o tecido ao longo do tempo.”

 

Tratamentos futuros

Uma das apostas da equipe é de que a possibilidade de visualizar um padrão de mudanças do EPR ajudará no desenvolvimento de novos tratamentos para evitar danos ou reparar problemas presentes no EPR. “Acreditamos que a imagem do epitélio pigmentar da retina combinada com outras avaliações clínicas será muito importante para identificar quais pacientes estão em risco de perder a visão. Nossa técnica permite rastrear longitudinalmente células individuais e, assim, podemos começar a monitorar a progressão da doença dentro do epitélio pigmentar da retina”, explica Johnny Tam.

Rafael Yamamoto, oftalmologista do Visão Hospital de Olhos, em Brasília, acredita que a técnica criada pelos cientistas americanos poderá ajudar a entender melhor a origem de doenças distróficas degenerativas. “Esses tipos de enfermidades, como a distrofia macular Sorsby e a degeneração macular relacionada à idade, não têm uma causa bem definida. O que nós sabemos apenas é que há alguma intercorrência em nível celular desencadeando uma série de fatores que fazem com que essas células se degenerem”, diz.

Para o médico, as novas informações poderão aprimorar a clínica. “Tratar doenças como essa é muito difícil, pois os exames só determinam o dano quando ele já está estabelecido, ou seja, em um estágio em que ocorreu uma perda funcional”, frisa. A intenção de Johnny Tam e a equipe é chegar a esse estágio. “Esperamos implantar essa técnica em mais pacientes e encontrar maneiras de tornar essa tecnologia prontamente disponível para outras clínicas em todo o mundo”, diz o pesquisador.

“Para as partes do olho que não podemos ver, muitas vezes, estamos tratando cegamente. Essa técnica vai nos mostrar o que está acontecendo no tecido ao longo do tempo, ajudando-nos a desenvolver novos tratamentos”
Johnny Tam, pesquisador do National Eye Institute e principal autor do estudo

Palavra de especialista

Pouco invasivo

“Esse é um trabalho interessante, pois se trata da proposta de um exame novo e minimamente invasivo, não sendo necessário fazer biópsia para entender o metabolismo e notar uma evolução ou uma piora a nível celular. Isso é importante para testar medicações e entender os mecanismos que levam a doenças. Atualmente, as ferramentas que temos são a nível macro, ou seja, não conseguimos ver as células detalhadamente. Pode ser que, no futuro, essa seja uma nova opção, assim como outros estudos que estão surgindo com o mesmo objetivo”Samuel Duarte, oftalmologista especialista em retina e vítreo

 

Excesso de testosterona pode levar à cegueira

A hipertensão intracraniana idiopática (HII) é uma enfermidade caracterizada por alta pressão no cérebro, que pode gerar dores de cabeça extremamente fortes e também a cegueira. Por meio de um experimento científico, pesquisadores ingleses descobriram que essa enfermidade, que atinge principalmente as mulheres obesas, pode estar relacionada ao aumento dos níveis de hormônios no corpo, como a testosterona. As descobertas foram publicadas na última edição da revista JCI Insight.

Os autores do estudo explicam que a HIA foi originalmente identificada há mais de 100 anos, mas a causa da doença permanece desconhecida. Esse problema de saúde é considerado raro, mas está aumentando, provavelmente na esteira do aumento da obesidade. De acordo com os autores da pesquisa, houve um aumento de 150% na incidência de HII nos últimos 10 anos.

No estudo, os pesquisadores examinaram os níveis de andrógenos no sangue e na urina de voluntárias, além do fluido cerebral conhecido como líquido cefalorraquidiano (LCR). Participaram do experimento 55 mulheres com HII e idade entre 18 e 45 anos. Os investigadores compararam os resultados com os níveis observados em mulheres também obesas e na mesma faixa etária e um grupo de voluntárias com síndrome dos ovários policísticos (SOP), um problema associado a níveis altos de hormônios e que pode causar excesso de pelos e períodos menstruais irregulares.

A equipe descobriu que as pacientes com HII tinham perfil hormonal diferente do das participantes com SOP. Uma das condições mais notáveis foi o alto nível de testosterona detectado nas mulheres do primeiro grupo. “Por mais de 100 anos, a causa da hipertensão intracraniana idiopática é desconhecida. Essas descobertas marcam um passo-chave para a frente. Pela primeira vez, encontramos um padrão de desregulação androgênica que é exclusivo da HII e, potencialmente, um fator de pressão cerebral anormal em pessoas com a doença”, frisa Alex Sinclair, pesquisador Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores acreditam que os dados obtidos podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos para a doença, que tem poucas opções terapêuticas atualmente. “Compreender a causa de uma enfermidade é um passo vital para, finalmente, aperfeiçoar os tratamentos, melhoram o atendimento ao paciente e os resultados”, diz Sinclair.

150%
Aumento dos casos de hipertensão intracraniana idiopática nos últimos 10 anos. A doença causa fortes dores de cabeça e perda da visão.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

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