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Remédio para diabetes também trata Alzheimer, diz estudo norte-americano

Remédio para diabetes também trata Alzheimer, diz estudo norte-americano 1
Efeito identificado em testes com ratos abre a possibilidade de uma nova via para o combate a doenças neurodegenerativas em humanos. Segundo cientistas americanos, a droga degrada proteínas acumuladas no cérebro das cobaias, protegendo os neurônios

 

Um medicamento usado no tratamento de diabetes pode ser a chave para tratar doenças neurodegenerativas. A descoberta foi feita por um grupo de cientistas em testes com ratos. A droga potencializou um mecanismo neural que combate o acúmulo da proteína tau, que está relacionada a doenças como o Alzheimer. Os resultados foram publicados na última edição da revista Science Translational Medicine e, segundo os autores do estudo, podem ajudar futuramente no desenvolvimento de drogas que tratem enfermidades ainda sem cura.

Uma das características principais de doenças como a demência frontotemporal (DFT) e o Alzheimer é o acúmulo das proteínas neurais tau, complicação chamada tautina. Não existem tratamentos que interfiram nos mecanismos responsáveis por esse problema, o que motivou os cientistas americanos a buscarem entender melhor como essa molécula se desenvolve no cérebro.

A equipe identificou uma nova via celular que promove a degradação da proteína tau por meio da ação de lisossomas — estruturas subcelulares que decompõem as moléculas. Descobriram também que a via limpa essas proteínas ao inibir a enzima farnesiltransferase, impedindo, assim, que a proteína chamada rhes interaja com os neurônios.

Com a descoberta desse mecanismo, os pesquisadores resolveram testar uma molécula que pudesse impulsionar esse processo. A equipe resolveu investigar o potencial terapêutico do medicamento lonafarnib, um inibidor da farnesiltransferase que tem sido extensivamente estudado como um tratamento para hepatite D e progeria, um distúrbio acelerado do envelhecimento, e prescrito para terapias contra o diabetes

“Esse estudo nos levou a uma direção completamente nova e inesperada”, conta ao Correio Kenneth S. Kosik, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Em testes com ratos com demência frontotemporal, o tratamento com lonafarnib estimulou ainda mais a degradação de tau pela ação dos lisossomos, preservou o tamanho do cérebro e preveniu deficits comportamentais, como o ciclo obsessivo, uma das características da doença.

Os autores acreditam que a via metabólica estudada surge como um possível alvo para desenvolvimento de medicamentos de combate a doenças neurodegenerativas. “O estudo pode acelerar a utilização de drogas da mesma classe que descobrimos que possam ser usadas em ensaios clínicos, feitos com humanos”, frisa Kosik.

Chance de intervenção

Para Otavio Castello de Campos Pereira, geriatra e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer do Distrito Federal (ABA-DF), os dados trazem uma nova forma de entender a tautina, o que é essencial para uma maior compreensão das doenças neurodegenerativas. “Esse estudo se encaixa nos trabalhos investigativos de ciência básica, pois foi feito com animais, e trata especificamente da tau. Essa proteína faz parte da constituição de umas das organelas que formam a estrutura do neurônio. Em algumas doenças, sofre modificações que provocam a morte dos neurônios. Entre elas estão o Alzheimer, algumas enfermidades frontotemporais, coreia de Huntington e outras doenças neurodegenerativas primárias”, complementa.

Segundo o geriatra, alguns mecanismos relacionados à proteína tau já são conhecidos. Ainda assim, não haviam sido  sugeridas maneiras de intervenção. “Essa via metabólica vista no estudo é completamente nova. Quem sabe, no futuro, pode se tornar um novo alvo para o desenvolvimento de medicamentos? Esse seria o maior ganho desse estudo”, avalia o especialista brasileiro.

 

Mais estudos

Os pesquisadores pretendem dar continuidade à investigação para entender melhor como a lonafarnib age no organismo dos ratos, informação importante para se pensar no desenvolvimento de novas terapias. “Precisamos aprender mais sobre a penetração cerebral da droga, entender mais sobre o mecanismo detalhadamente e, só depois, iniciar os testes em humanos”, diz.

Um resultado identificado nos roedores sinaliza como seria o tratamento em humanos. O tratamento, provavelmente, teria quer ser prescrito no início da enfermidade.  “A abordagem farmacológica descrita aqui provavelmente exigirá intervenção precoce e crônica. Quando a patologia tau emergiu nos animais, a droga lonafarnib não foi mais tão eficaz nos testes”, explica o autor do estudo.

Kosik chama a atenção ainda para a urgência no desenvolvimento de novas terapias contra as doenças neurodegenerativas. “O aumento de casos, incluindo Parkinson, Alzheimer e demência frontotemporal requer um esforço conjunto em busca de novos caminhos para efeitos terapêuticos”, justifica. “O perfil de segurança de lonafarnib faz desse medicamento um promissor candidato nesse objetivo, e faremos o máximo para que ele consiga ser utilizado com sucesso.”

 

Envelhecimento populacional

Especialistas da área médica acreditam que as doenças neurodegenerativas deverão aumentar por causa principalmente do aumento da expectativa de vida da população. De acordo com o IBGE, a média de vida de um cidadão brasileiro é de 72,7 anos, 12 anos a mais do que na década de 1980. Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou um ranking das 10 principais causas de morte. O Alzheimer e outras demências ocuparam o 5º lugar, atrás de cardiopatia isquêmica, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica e infecções das vias respiratórias inferiores.

 

 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

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